Uso do Google Trends para analisar como a população está buscando informações sobre febre amarela

GoogleTrends

Trilhões de buscas são realizadas anualmente no Google, de acordo com a própria empresa, se tornando uma das maiores bases de dados do mundo e oferecendo uma perspectiva única de como as pessoas estão interessadas por diferentes temas, pessoas, produtos ou empresas.

O Google Trends é uma ferramenta gratuita do Google que permite explorar uma amostra dessa base e analisar como a procura por uma palavra ou termo varia ao longo do tempo. O Google Trends tem sido especialmente utilizado por jornalistas, pesquisadores e pelas áreas de marketing das empresas.

Os dados do Google Trends são agregados, categorizados (é possível selecionar uma categoria) e normalizados (índice é calculado de acordo com a popularidade de um termo em relação a todas as buscas realizadas naquele período e região).

Com o objetivo de explorar os insights que o Google Trends pode gerar, analisamos nesse post o perfil de buscas pela febre amarela.

Nos últimos 3 meses, a busca no Google por informações sobre febre amarela cresceu vertiginosamente no Brasil, sendo que o pico de popularidade ocorreu no dia 17/jan. De acordo com o Ministério da Saúde, até o dia 24/jan, haviam sido reportados 130 casos humanos confirmados e 53 óbitos (41% de letalidade).

Mas considerando a sua característica sazonal, será que o perfil de buscas foi similar a anos anteriores? A análise dos últimos 5 anos indica que exatamente um ano atrás também houve uma grande procura por informações (pico de 18 pontos – semana de 22 a 28 de jan/17). Apesar disso, os números oficiais indicam que até a terceira semana de janeiro de 2017, haviam 381 casos confirmados e 127 óbitos (33% de letalidade), ou seja, cerca de 3 vezes acima em relação a esse ano.

O que explica o aumento de 19 para 100 (5x), se o número de casos confirmados diminuiu de 381 para 130? Para responder a essa pergunta analisamos o perfil de buscas por estado e cidade nas primeiras semanas do ano. No ano passado, as buscam vieram de cidades menores do interior de Minas Gerais (ex: Caratinga, Teófico Otoni e Ipatinga) e Vitória do Espírito Santo (clicar nos botões abaixo do mapa para visualizar lista por cidade).

Já nesse ano, as buscam vieram principalmente de cidades da região metropolitana de São Paulo (ex: Taboão da Serra, Osasco, Itaquaquecetuba e a própria capital paulista) e com índices muito altos (clicar nos botões abaixo do mapa para visualizar lista por cidade).

Até o momento, não foi identificado nenhum caso de febre amarela urbana mas a confirmação de casos humanos próximos a São Paulo e a morte de macacos na capital paulista geraram apreensão e uma corrida aos postos de saúde por vacinas, gerando longas filas. Regiões como Espírito Santo que sofreram surto no ano passado e passaram por campanhas de vacinação apresentaram uma queda significativa na busca nesse ano.

Por fim, uma das funcionalidades mais interessantes do Google Trends é a comparação de diferentes termos. Nesse caso, a comparação com outros surtos recentes revela:

  • ciclo sazonal das buscas
  • a busca por febre amarela superou em muito as demais doenças
  • nesse ano, a preocupação com zika vírus, chicungunha e dengue reduziu drasticamente

Além de ajudar a contar uma história como nesse post, aqui na ADVISIA Analytics já utilizamos o Google Trends para apoiar decisões de expansão de sortimento de produtos para um grande varejista.

Em um próximo post, analisaremos como é possível usar o Google Trends para gerar insights sobre análise competitiva.

2 Comment

  1. Denis Casita says: Responder

    Um ponto importante é destacar que o gráfico não exibe o volume de pesquisas feitas no Google e sim o share de buscas. O que significa que as vezes um termo pode ter um grafico apresentando crescimento, mesmo que a busca por ele não aumente, mas a dos demais termos diminuam. De qualquer forma isso não muda o fato de que a pesquisa por estes termos estão em crescimento dado os acontecimentos recentes. Abs!

    1. Fernando Nagano says: Responder

      Denis, perfeito. É por isso que gostamos de usar o Google Trends para medir o desempenho relativo entre diferentes termos de busca (que sejam comparáveis). Abs!

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