Análise de preços de combustível no Brasil e comparativo com outros países

Foto por Tim Mossholder

As últimas duas semanas foram marcadas pela greve de caminhoneiros e manifestações de apoio da população, movida pela insatisfação generalizada contra o governo mas também pelos aumentos recentes no preço do combustível.

Enquanto o fornecimento de combustíveis volta ao normal, analisamos os preços da gasolina, incluindo: comparação com outros países, alta recente de preços e impacto da carga tributária.

Pagamos mais caro do que no resto do mundo?

O preço da gasolina encontrado na bomba apresenta alto nível de variação, entre US$0,36 (Argélia) e US$2,11 (Islândia), sem mencionar a Venezuela (US$0,01).  Países europeus (países ricos) apresentam os maiores patamares, enquanto países exportadores (OPEC) os mais baixos como por ex: Argélia (US$0,36), Bolívia (US$0,54), Venezuela (US$0,01),  Indonésia (US$0,66) e Emirados Árabes Unidos (US$0,65). Apesar de ser um país rico e exportar pouco, os Estados Unidos apresentam um preço médio de US$0,85 (27% menor que no Brasil).

Preço médio (preço-bomba) da gasolina (US$/l)

Fonte: globalpetrolprices.com, semana de 21 de maio de 2018

Ao consolidar os dados acima, vemos que o Brasil está posicionado na média global.

Distribuição de países de acordo com o preço da gasolina (US$/l)

Fonte: globalpetrolprices.com, semana de 21 de maio de 2018

A Petrobras está realmente acompanhando os preços internacionais, seja nos momentos de alta seja nos de queda? 

Em out/2016 a Petrobras passou a seguir os mercados internacionais, alterando preços mensalmente. A partir de jul/2017, a Petrobras passou a alterar preços quase diariamente. Com os aumentos de preços, em fev/2018, a Petrobras passou a divulgar o preço médio praticado (sem tributos). Ao comparar com os preços internacionais (em Reais), é possível perceber que a Petrobras tem seguindo integralmente a evolução do barril de petróleo (em dólar) e a evolução do câmbio, aplicando aumentos e reduções de preço. Porém nesse período, os movimentos de alta do petróleo e do câmbio elevaram em mais de cinquenta centavos o preço da gasolina, pressionando a política de preços da Petrobras pela opinião pública.

Relação Gasolina Petrobras (R$/l) x Barril de petróleo (R$/barril)

Fonte: Petrobras, Oanda e investing.com

Um ponto importante no gráfico acima é o patamar de preço divulgado pela própria Petrobras. No final de abril por exemplo, o preço estava em R$1,80. O que explica o preço-bomba ser mais do que o dobro? Veremos a seguir que o principal motivo é a elevada carga tributária que incide nos combustíveis.

Qual o impacto dos tributos no preço da gasolina?

A gasolina apresenta uma grande variação de preços ao redor do país, com quase R$1 de diferença. Três estados disputam o título de menor preço do país – Maranhão, Paraíba e Santa Catarina. Já o Acre e Rio de Janeiro são os mais caros. O alto preço da gasolina no Acre poderia ser explicado pelos custos logísticos, mas o que explica os altos preços no Rio de Janeiro, justamente um dos estados produtores?

Preço médio da gasolina por UF (R$/l)

Fonte: ANP e Fecombustíveis, 16 a 30 de abril de 2018

No final de abril, o preço Petrobras e a parcela de biocombustível representava R$1,73 (41%) do valor do preço bomba médio enquanto distribuição e revenda R$0,62 (15%). Os tributos federais representavam R$0,69 (16%) enquanto os estaduais R$1,19 (28%). Juntos, os tributos representavam R$1,88 (44%), ou seja, quase 3 vezes o valor para distribuir e revender a gasolina ao consumidor final.

Composição do preço de gasolina (R$/l) – abril

Fonte: ANP , 22 a 28 de abril de 2018. Tributos estaduais (ICMS) . Tributos federais (CIDE e PIS/COFINS)

A maior carga tributária do país explica o fato do Rio de Janeiro ter um dos preços mais caros do país. Minas Gerais e Piauí são outros estados com elevada carga tributária na gasolina. Por outro lado, Santa Catarina e São Paulo possuem as menores alíquotas e estão entre os estados com gasolina mais barata aos consumidores.

Preço médio da gasolina e parcela de tributos por UF (R$)

Fonte: ANP e Fecombustíveis, 16 a 30 de abril de 2018

Como conclusão, é possível perceber que apesar do preço-bomba encontrado no país estar alinhado com a média mundial, a carga tributária é o principal fator para a gasolina encontrada nos postos ser mais do que o dobro do preço Petrobras e por haverem diferenças significativas de preço entre estados.

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